Covid-19, incertezas e seu bolso!

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A Covid-19 foi um marco deprimente e de extensão global. Jamais será esquecida, não apenas pelos milhões de vidas dizimadas, mas pelos efeitos perversos e duradouros sobre a Economia mundo afora. O ambiente se revela menos favorável para os emergentes. O Brasil sente os impactos e deve enfrentar grandes desafios pela frente. A crise sanitária trouxe dois choques simultâneos: o de oferta e o de demanda. O primeiro consequente da redução no abastecimento da cadeia de suprimentos mundial pela China, grande player de produtos intermediários e onde a crise começou. E o segundo, pela drástica redução de consumo mundial de vários bens e serviços, dada a permanência em casa por um longo período. Internamente, o setor privado se ressentiu do baixo nível de atividade, lucros menores e até prejuízos. As empresas frearam investimentos, que representam um importante pilar da economia.
O outro pilar, o consumo, foi abalado pela baixa confiança do consumidor, reflexo do receio da perda do emprego e da renda. A situação só não foi pior pela interferência do governo, o chamado pilar do gasto público, que injetou recursos em programas assistenciais para trabalhadores de baixa renda e para pequenas e médias empresas. A contrapartida do gasto maior foi o agravamento da situação fiscal. E, para completar o quadro, a inflação veio numa escalada preocupante e o governo foi obrigado a subir a taxa básica. E juros ascendentes afetaram o custo da dívida pública. Essa dinâmica tem se revelado perversa para nossa economia e embute incertezas quanto a sua gestão. A percepção de risco Brasil piorou e se reflete na fuga de investidores, gera instabilidades, pressiona a moeda, preços relacionados e juros, num círculo vicioso. E o componente político torna mais complexo esse processo.
Se deseja minimizar os efeitos desse cenário, recomendo exercitar mais racionalidade e planejamento nas finanças pessoais. Para ajudá-lo: 1) controle ainda mais seus gastos, cortando parte, temporariamente, e adiando o consumo de alguns bens e serviços; 2) tente guardar um montante maior de sua renda mensal e, se possível, adie alguns projetos; 3) evite investimentos de risco, pois a volatilidade vai se perpetuar por um bom período; 4) não reduza sua reserva de emergência; 5) busque uma atividade paralela que lhe permita auferir alguma renda extra; 6) fuja das dívidas. Seja firme nesse objetivo! O momento exige!

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É executiva em Finanças com 35 anos de experiência na liderança de áreas de Crédito e Riscos de Atacado e Varejo. Atuou em grandes Bancos como Santander, BankBoston e Votorantim. Cursei Administração de Empresas, com MBA em Finanças pelo INSPER. Também é formada em Conselho de Administração pelo IBGC e Investidora Anjo e membro de Conselho Consultivo em startups. Brasileira, 50+, casada, dois filhos.