Homem é Assim Mesmo! Como Assim?

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Uma expressão aparentemente natural que naturaliza comportamentos machistas em todo o mundo, independentemente de cultura, religião, classe social, raça, etnia. Uma expressão que reforça o feminicídio. Muitas mulheres são mortas pelo simples fato de serem mulheres, de dizer não a um relacionamento abusivo ou quando ele desconfia que esteja sendo traído. Justificativas que não justificam.

Movimento contra o Feminicídio, em dia 12 de julho, no Piauí

A morte dessas mulheres é anunciada. Começa com a violência psicológica que desqualifica e inviabiliza a mulher, a violência moral que a desqualifica como pessoa digna, a sexual que a transforma em um pedaço de carne a ser usado ao bel prazer masculino. Em 1978, a Revista Hustler colocou em sua capa uma mulher sendo moída por um moedor de carne. Foi chocante para o mundo, mas foi um recado contra o machismo.

Peça dirigida por mim, realizada por mulheres jovens do movimento Hip Hop de Teresina, que falam sobre violência doméstica

A misoginia (ódio a tudo que simboliza o feminino) é mais presente em nosso cotidiano do que imaginamos. Às vezes temos de fingir que não percebemos nada do que está sendo falado contra as mulheres para não precisarmos brigar o tempo todo. Em casa, no trabalho, na escola, nos espaços de lazer. Por exemplo, tem um colega de trabalho que você quer bem, admira a capacidade e o talento dele, mas vê que ele é machista, não um machista sutil, mas um machista escancarado, que fala das mulheres como pedaços de carne no açougue.

Quais as causas mais profundas do feminicídio? A educação sexista de meninas e meninos. Nós mulheres somos ensinadas, desde cedo, a ter medo, a não ousar na vida, a nos submeter aos homens e os meninos são ensinados a atacar, a conquistar o mundo, a dominar as mulheres. Um dia ouvi uma jovem dizer: “Um colega estava me ensinando a falar outra língua que domino e eu olhava para ele rindo. Quando demonstrei que sabia muito, ele ficou chateado”.

Os brinquedos têm uma simbologia direta no processo educativo sexista. Meninas ficam com brinquedos que significam responsabilidade, tarefas domésticas e do âmbito privado, como bonecas e casinhas, enquanto os meninos ficam com os brinquedos desafiadores, que simbolizam liberdade, como o carro, jogos criativos e todos voltados para o âmbito público.

As instituições reforçam a educação sexista: a família, a escola, o Estado, as igrejas… e a mídia completa o pacote. A mídia tem um poder inimaginável de mudar uma cultura… ou de reforçá-la.

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Graduada em Letras pela Universidade Federal do Piauí – UFPI, e em Jornalismo, pela Faculdade Santo Agostinho – FSA (DRT 0001969/PI). Criadora do programa feminista de TV e Rádio “Sob Outro Olhar”, veiculados em duas TVs estaduais. Criado no TCC de jornalismo que resultou na Láurea Universitária. Especialista em Docência no Ensino Superior para inclusão do Teatro do Oprimido na Educação/FSA. Aposentada da Caixa Econômica Federal. Atriz e diretora de Teatro do Oprimido (DRT 0000158/PI), com 20 anos de experiência. Assessora de imprensa local Mostra Cinema e Direitos Humanos. Formanda em Biodança.