Liderança na Prática 3 Grandes Líderes, 3 Importantes Lições

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É preciso conduzir pessoas ou times por uma cruzada contra crenças limitantes e modelos mentais contaminados

James Hunter, autor de O Monge e o Executivo, afirma que “liderança é a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir os objetivos identificados como sendo para o bem comum”.

Todo líder inspirador tem a capacidade de liberar o potencial das pessoas, inspirando-as a dar o seu melhor na construção de um ambiente favorável a todos e não apenas a alguns. A união de um grupo em torno de um objetivo comum é o que estabelece o foco, impulsiona a ação e gera resultados surpreendentes.

Até aqui nenhuma novidade. Acredito que você já tenha lido vários livros e artigos sobre assunto. No entanto, mesmo que essas características sejam senso comum, nem sempre se constituem prática comum. Assim, o objetivo deste artigo é apresentar três importantes lições de liderança a partir do exemplo prático de três grandes líderes.

 

Prática de Liderança 1: Conte sua história e inspire

Londres, 16 de junho de 2015, Escola para Garotas Mulberry.

Todos aguardavam ansiosos pelo seu discurso. Ao ser anunciada, ela entra com o belo sorriso, a elegância e a simpatia de sempre. Após alguns agradecimentos, ela começa a contar sua história:

Estou aqui porque quando olho para essas jovens, eu me vejo. Eu posso ter vindo de um país que fica do outro lado do oceano, mas a história de vocês é a minha história. Para aqueles que não sabem muito sobre meu passado, eu cresci em um bairro da classe operária (…) meu pai trabalhava como operador de bomba em uma companhia de saneamento e minha mãe ficava em casa cuidando de mim e do meu irmão mais velho.

Morávamos em um apartamento muito pequeno. Eu e meu irmão dormíamos no mesmo quarto, o qual era dividido por uma placa de madeira, dando a impressão de que cada um tinha seu próprio quarto. De tão pequeno, só havia espaço para uma cama e uma escrivaninha. (…) Também não havia muita privacidade. Lembro como era difícil fazer a lição de casa. Sempre havia alguém falando ou assistindo TV. Eu costumava acordar às 4 da manhã, quando tudo estava quieto e eu podia me concentrar e terminar a lição. Ainda lembro do sonho de ter um lugar só meu.

(…) Todos os dias, meus pais diziam que eu era capaz de qualquer coisa – eu poderia ser médica, advogada, cientista, qualquer coisa – desde que eu me esforçasse nos estudos.

No entanto, apesar dos meus esforços, algumas pessoas diziam que eu estava querendo demais; que uma garota como eu jamais entraria em uma universidade de elite. Era como se essas pessoas estivessem tentando me colocar em uma pequena caixa – uma caixa que correspondia exatamente às suas limitadas expectativas. Depois de um tempo, eu comecei a pensar que, talvez, eu estivesse mesmo sonhando alto demais. Naquela época, eu não tinha a menor ideia de que seria aceita em uma das melhores universidades. Eu não sabia que me tornaria advogada e diretora de uma ONG; muito menos que me tornaria a primeira-dama dos Estados Unidos.

 

Sim, é isso mesmo! Este é um trecho da história de Michelle Obama, contada por ela mesma no evento que anunciou a parceria entre Estados Unidos e Reino Unido em um projeto para oferecer educação de qualidade a meninas ao redor do mundo.

E a história de Michelle Obama continua. Mais adiante ela diz:

Em minha juventude, poucas mulheres negras ocupavam posições de liderança nos negócios, na política, na ciência ou na TV; então, eu não tive muitos exemplos para me inspirar. E tenho a impressão de que minha experiência seja familiar a muitas de vocês.

Talvez vocês olhem para os líderes atuais e se perguntem se há um lugar para vocês. Talvez vocês tenham ouvido falar de tutoria, cursos preparatórios e outras vantagens que alguns estudantes podem pagar e pensado se é possível competir. Talvez vocês sintam que ninguém presta atenção em vocês e se perguntam se vale a pena sonhar com algo grande. (…) Eu sei como é dolorido e frustrante. Eu sei como vocês devem estar irritadas e exaustas. Mas ouçam bem: com o tipo de educação que receberão desta escola, você terão tudo o que precisam para superar as dificuldades e conquistar cada um de seus sonhos.

 

Um discurso como esse inspira qualquer pessoa. Até eu, que não sou mais uma garota, sinto vontade de estudar, lutar pelos meus sonhos e fazer a diferença no mundo. Aliás, teria sido maravilhoso ouvir uma mensagem tão inspiradora em minha juventude.

Mas, afinal, porque a fala de Michelle Obama inspira tanto? Basicamente, porque, em muitos aspectos, a história dela tem pontos de conexão com a história de cada um de nós.

Histórias fazem parte do imaginário e da cultura da humanidade. Quem nunca se deixou levar pela narrativa de um bom livro ou um bom filme? Segundo Eber Freitas (2013: 39), “histórias são envolventes, sedutoras e parte inseparável do desenvolvimento intelectual humano”.

Essa foi a estratégia de Sherazade para conquistar a atenção do rei Shariar e sobreviver ao longo de 1001 noites. Também foi o recurso que Jesus utilizou com seus Apóstolos e seguidores para divulgar seus ensinamentos. Assim, contar histórias pode ser um excelente recurso de engajamento e comunicação dentro de uma organização, tanto que ganhou um termo específico: storytelling.

Stephen Denning, no livro O poder das narrativas nas organizações, relata:

Ao tentar comunicar uma nova ideia para uma audiência cética, descobri que as virtudes de precisão, rigor e transparência não estavam funcionando. Tendo passado a vida toda acreditando no sonho da razão, fiquei pasmo ao descobrir que uma história contada apropriadamente tinha o poder de fazer o que um estudo analítico rigoroso não conseguia: comunicar uma estranha ideia nova com facilidade e de forma natural, motivando rapidamente as pessoas a agirem com grande entusiasmo. (apud Freitas, 2013: 39)

 

Tendo isso em mente, recentemente a Editora Leader publicou o livro Segredos do Sucesso – Da teoria ao topo: histórias de executivos da alta gestão, no qual 105 executivos compartilham suas histórias de superação e sucesso.

Assim, transforme o storytelling em uma prática de liderança, inspirando liderados e superiores a unir forças e trabalhar em prol de um objetivo comum. Com toda certeza, em pouco tempo você perceberá os benefícios, tanto na qualidade dos relacionamentos quanto nos resultados da empresa.

 

Prática de Liderança 2: Compartilhe seu sonho e motive

            Washington, D.C.. 28 de agosto de 1963. Memorial Lincoln.

Junto de um dos mais importantes monumentos do país, uma multidão esperava para ouvi-lo. Ao ser anunciado, o apresentador diz: “Tenho a honra de vos apresentar o líder moral de nossa nação”. Com toda certeza, seu sonho de liberdade, justiça e igualdade tornava-o um grande líder e o porta-voz de milhares de pessoas que não tinham o direito de falar.

Eu tenho um sonho no qual um dia esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado do seu credo… que todos os homens são iguais.

Eu tenho um sonho de que algum dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos dos escravos e os filhos dos senhores de escravos se sentarão juntos à mesa da fraternidade. Esta é a nossa esperança…

(…) Quando deixarmos o sino da liberdade tocar em qualquer vilarejo ou aldeia de qualquer estado, de qualquer cidade, neste dia estaremos prontos para nos erguer. Todos os filhos de Deus, brancos ou negros, judeus ou gentios, protestantes ou católicos, estão prontos para dar as mãos e cantar aquele velho hino dos escravos: “Finalmente livres! Finalmente livres! Graças do Deus Todo-Poderoso, nós somos finalmente livres.”

 

Acredito que você já saiba que estou falando de Martin Luther King Jr., grande defensor dos direitos humanos e adepto da não violência. Morreu muito jovem, assassinado por compartilhar o seu sonho e motivar outras pessoas a lutar por liberdade e igualdade. O sonho, no entanto, permaneceu vivo na mente e no coração de todos aqueles que ele havia inspirado e é exatamente aí que está mais uma importante prática de liderança.

Hoje, muitas pessoas abandonam seus trabalhos porque não encontram um sentido. Por mais que tenham um bom salário, benefícios e status, chega um ponto em que só isso não basta.

Em agosto de 2013, a Revista Você S/A divulgou uma pesquisa conduzida com 4.270 profissionais brasileiros com o objetivo de identificar suas fontes de motivação no trabalho. 40% dos entrevistados disseram que precisam ter um propósito e 30% apontaram a importância de acreditar nos sonhos.

Cada vez mais as pessoas buscam deixar uma marca pessoal no ambiente de trabalho e quando esse objetivo encontra conexão com os objetivos da empresa, pode ter certeza que ali está um colaborador comprometido e dedicado. Daí a importância de compartilhar os sonhos.

Na Programação Neurolinguística, em especial na pirâmide dos níveis neurológicos, é possível situar os sonhos no último nível, que é exatamente o nível do propósito. Relacionado a uma visão de futuro que vai além da equipe ou da empresa, um trabalho de autoconhecimento e desenvolvimento feito nesse nível permite desenvolver uma sensação de pertencimento a algo maior que pode contribuir, consideravelmente, com o bem de todo e até com o progresso da sociedade.

Assim, compartilhe com seus liderados a visão e o sonho que você tem para a empresa ou para o departamento e, mais importante, deixe bem claro como eles podem contribuir com a concretização desse sonho.

 

Prática de Liderança 3: Inove e tenha um grupo de fiéis seguidores

São Francisco, 9 de janeiro de 2007, MacWorld.

Ele sobe ao palco carregando apenas seu passador de slides. A calça jeans, a camiseta preta e o par de tênis branco jamais lhe daria credibilidade se ele já não tivesse revolucionado o mundo da tecnologia.

Sob os olhares atentos da plateia, ele diz: “Este é o dia que eu espero por dois anos e meio”. Em menos de 1 minuto de fala, ele já recebe os aplausos de uma audiência entusiasmada. E com menos de três minutos, ao anunciar o lançamento de um telefone celular revolucionário, a plateia vem a baixo.

Sua fala dura pouco mais de uma hora, mas aos 3 minutos ele já havia conquistado todos aqueles que ali estavam. Em uma apresentação memorável, a frase “Hoje a Apple irá reinventar o telefone” mudou a forma como nos comunicamos e tudo graças ao seu visionário Steve Jobs.

Segundo Osterwalder & Pigneur (2011: 128), criar um negócio a partir da perspectiva do cliente é uma estratégia que leva à descoberta de oportunidades totalmente novas. Claro está que a visão do cliente não é a única considerada no momento de estruturar um negócio, mas “inovações bem-sucedidas exigem uma compreensão profunda dos clientes, incluindo seu ambiente, seu dia a dia, suas preocupações e inspirações”.

Nesse sentido, vejamos o exemplo do iPod da Apple:

Em uma época na qual o download ilegal estava descontrolado e a maioria das empresas argumentava que ninguém estaria disposto a pagar por música na Internet, a Apple ignorou isso e criou uma experiência musical para os clientes, integrando o software de música e mídia iTunes, a loja online iTunes e o tocador digital iPod. Com essa Proposta de Valor como núcleo do seu Modelo de Negócio, a Apple dominou o mercado da música digital. OSTERWALDER & PIGNEUR (2011: 128)

Em outras palavras, a Apple transformou um momento de crise na indústria musical em uma grande oportunidade de negócio, criando uma nova linha de produtos e serviços que atendesse as necessidades dos clientes, inclusive superando suas expectativas. Ao visualizar o contexto pela ótica do cliente, a Apple construiu um império e ocupou uma posição de destaque no mercado de tecnologia. Em razão disso, não é surpresa nenhuma que plateias entusiasmadas vão à loucura e que filas se formam nas portas de suas lojas a cada lançamento de um novo produto.

Para que sua empresa se destaque em um mercado cada vez mais competitivo, é preciso encontrar oportunidades em meio à crise, como a que estamos atravessando atualmente. No entanto, para que isso aconteça é essencial uma mudança de paradigma: as organizações devem ser inovadoras e estruturar um tipo de negócio que entenda o cliente e suas necessidades.

Assim, transforme a inovação em uma prática de liderança e ofereça a seus clientes soluções que não só resolvem seus problemas, mas principalmente agregam valor às suas vidas.

 

Conclusão

Muito se fala e se escreve sobre liderança, mas nada melhor que o exemplo para nos inspirar e motivar. Por esta razão, meu objetivo neste artigo foi apresentar três importantes práticas de liderança a partir do exemplo de três grandes líderes que exercem grande influência no âmbito mundial e, tenho certeza, continuarão sendo referência para as gerações futuras.

Com Michelle Obama, vimos como uma história consistente e bem contada é capaz de envolver e inspirar a superação de obstáculos e a concretização de objetivos.

O discurso de Martin Luther King mostra a importância de cultivar os sonhos e compartilhá-los com outras pessoas, motivando-os a buscar sentido em tudo que fazer, inclusive no trabalho.

Por fim, com o visionário Steve Jobs descobrimos que inovar deve ser o objetivo de toda empresa que busca diferenciar-se e destacar-se em um mercado altamente competitivo.

Que os exemplos destes grandes líderes possam te inspirar a trilhar esse caminho e realmente praticar a liderança.

 

 

 

Bibliografia

 

FREITAS, Eber. A incrível arte de contar histórias. In: Revista Administradores: Storytelling. Ano 2, nº 20, abril/maio de 2013. Disponível em: http://issuu.com/admnews/docs/adm20web. Último acesso em 25 mar 2015.

 

HUNTER, James. O monge e o executivo: uma história sobre a essência da liderança. Rio de Janeiro: Sextante, 2004.

 

NEVES, Nívia. Como encontrar satisfação no trabalho. In: Revista Você S/A., edição 183, agosto/2013, p. 30-33.

 

OSTERWALDER, Alexander; PIGNEUR, Yves. Business Model Generation – Inovação em modelos de negócios: um manual para visionários, inovadores e revolucionários. Rio de Janeiro: Alta Books, 2011.

 

Discurso de Michelle Obama. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=d0sao_1gILs. Último acesso em jun. 2015.

 

Discurso de Martin Luther King. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=-QT1IogxcZo. Último acesso em jun. 2015.

 

Discurso de Steve Jobs. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=9ou608QQRq8. Último acesso em jun. 2015.