O sonho da sultana

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Por Alice Schuch*

 

A escritora asiática Rokeya Sakhawat Hossain entendia que o empenho para que todas as meninas tivessem acesso à educação seria passo indispensável para a emancipação das mulheres. Com tal propósito escreveu textos no formato de ensaios, publicados em jornais, sendo que a sua obra mais importante foi “O Sonho da Sultana”.

Em alguns momentos, tocadas pela leitura de obras biográficas que vão de Dalila a Cleópatra e tantas outras, cujas vidas foram prematuramente ceifadas, poderíamos fantasiar que, perdedoras na existência histórica, se realizaram em um plano superior místico. Questionamos, porém: por que permaneceram mantendo e alimentando modelos não vencedores para si? Mulheres inteligentes, belas e cultas, como se justifica terem postergado ações vitais? Qual é o escopo de postergar?

Na estratégia de algumas vidas observam-se pegadas de ações que impedem o nascimento da arte perfeita.

Ao contrário, a mulher do século XXI demonstra raro talento e uma contagiante vontade de viver, detesta apegos, é descolada, gosta de renovar usos, alimenta predileções, é antenada. Sabe que hoje somos livres e nos convém vencer, que o importante é empreendermos aqui e agora as nossas lutas e não lutas e guerras de outros que nos são indiferentes, que não têm coincidência, projetos de histórias alheias.

Viver bem é uma escolha, uma atitude diante da vida, e tem uma só passagem: evoluir sempre e não pretender mudar os outros. Atitude tem a ver com valorização pessoal, com o desejo, a vontade de fazer o máximo com aquilo que se tem. Colher, se possui inteligência e capacidade, o poder da existência, viver de modo alto e elegante a própria feminilidade, a própria personalidade.

O além se constrói ao transformar a existência histórica em obra original, interativa e em constante movimento. É o sujeito o artífice do seu fazer-se, do seu viver como celebração do excelente.

O “Sonho da Sultana” de Rokeya, relato imaginário sobre um lugar ideal no qual as mulheres detêm o controle sobre a própria vida, torna-se possibilidade real para nós no século XXI.

*Alice Schuch é palestrante e pesquisadora do universo feminino

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É brasileira, doutora em Ciências da Educação - Universidad de Desarrollo Sustentable - UDS. Mestre em Ciencias del Educación pela Universidade Del Mar (Chile). Especialista em Psicologia com Endereço Ontopsicológico pela Universidade Estatal de São Petersburgo (Rússia). Especialista em Políticas Públicas em Gênero e Raça pela Universidade Federal de Santa Maria – UFSM (Rio Grande do Sul, Brasil). Pós-graduada em Psicopedagogia pela Universidade Castelo Branco (Rio de Janeiro, Brasil). Possui MBA Business Intuition pela Antônio Meneghetti Faculdade (Recanto Maestro, RS, Brasil) e MBA La Business Intuition Del Made in Italy pela FOIL Itália (Milão, Itália). Atuou na Antônio Meneghetti Faculdade como responsável pelo setor Responsabilidade Social, Coordenação Pedagógica e Ouvidoria. Autora de "Mulher: Aonde vais? Convém?" e “Contos de Alice”, fatos da vida real vivenciados por Maria Alice Schuch que ilustram sua pesquisa exposta em diversos eventos e congressos no decorrer dos últimos anos: Seminário FOIL São Paulo (Brasil, 2002); Faculdade de Psicologia da Universidade Estatal de São Petersburgo (Rússia, 2003); Congresso Internacional Ontopsicologia e Memética em Milão (Itália, 2003), que se encontra publicado na obra homônima, de Antônio Meneghetti. A pesquisa também abrangeu a participação da autora no International Congress Business Intuition, realizado em Riga (Letônia, 2004); no XXI Encontro Nacional dos Women’s Clubs em Canela (Brasil, 2006); no evento de premiação da Fondazione di Ricerca Scientifica ed Umanistica Antônio Meneghetti em Genebra ( Suíça, 2011). No encontro “Brasil do Milênio” realizado na sede do Conselho Econômico, Social e Ambiental da República Francesa em Paris (2012), a autora participou do grupo de pesquisa da Antônio Meneghetti Faculdade. E, ainda, no 41º Encontro da Sociedade Brasileira de Psicologia em Belém (Pará, 2012), ocasião na qual foi apresentado o Projeto Mulher do Milênio, grupo de estudos da Antônio Meneghetti Faculdade referente ao 3º Objetivo do Milênio da ONU: “Igualdade entre os sexos e autonomia das mulheres”.