SUA EMPRESA VAI RESPONDER AO CHAMADO?

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Escrevo esse artigo em meio a uma tragédia nacional. Uma pandemia que está levando quase 3 mil pessoas por dia. Salvo raras exceções, todos temos algum amigo ou parente que sofreu com a doença – ou alguém que está internado, lutando pela vida.
Talvez a população brasileira demore anos para recuperar sua autoestima, sua alegria.
Algo que sempre foi a nossa maior característica, o otimismo, parece ter sucumbido à dura realidade da crise que nos afeta há mais de um ano.
Vou voltar para a pesquisa Edelman Trust Barometer, de 2020, que abordei nos dois artigos anteriores. Ela mostrava números aflitivos.
No Brasil, 53% dos entrevistados se sentem injustiçados e achando que o sistema está falhando com eles. Pior: 73% da nossa população considera que não tem formação educacional para conseguir um emprego que pague bem.
Quem poderá ajudar a reverter essa situação, que em 2021 deve estar rolando ladeira abaixo?
A própria pesquisa dá a dica. São as empresas. Entre os brasileiros pesquisados, 73% acham que os CEOs de grandes empresas devem liderar mudanças da sociedade para melhor. Segundo eles, são os líderes empresariais que devem procurar estabelecer a igualdade salarial entre gêneros, lutar contra o preconceito e a discriminação, incentivar a formação profissional de suas equipes. Veja bem: temas sociais como esses, segundo a pesquisa, não são tarefas apenas do governo, mas também de companhias e seus presidentes.
No Brasil, 78% consideram que as empresas podem e devem melhor a sociedade e cuidar do meio ambiente. Uma missão difícil, claro, e impossível de se cumprir sozinho.
Para isso, a governança, os conselhos de administração, os comitês têm que ser levados a sério pelo empresariado brasileiro. Unindo grandes mentes e espíritos imbuídos de grandes objetivos é possível encontrar a saída para os problemas dos negócios e da sociedade – uma coisa não pode excluir a outra.
Os números mostram: não há mais espaço para adiamentos. A sociedade brasileira está cansada de desculpas. Querem respostas de todos, inclusive das marcas. Sua empresa está preparada para enfrentar essa missão?

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Liderou grandes agências de publicidade, como JWThompson e Dentsu. Coordenou a comunicação do HSBC na América Latina por dez anos e tem grandes cases para Coca-Cola, Ford, J&J, Toyota e outros. Em 2010 foi escolhido o Profissional de Criação do Ano pelo Prêmio Caboré. Jurado em Cannes quatro vezes e presidente do júri em 2017. É presidente da ABAP – Associação Brasileira das Agências de Publicidade.