Vieses do Investidor – você reconhece o seu?

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Tomamos decisões o tempo todo ao longo da nossa vida. Logo, não é de se espantar que o nosso cérebro tenha desenvolvido maneiras de aperfeiçoar a tomada de decisão, seja para economizar esforços ou rapidez de resposta.

Sabe aquelas famosas regras de bolso que agilizam e simplificam nossa percepção das informações que recebemos? De um modo geral, facilitam nossa vida; por outro, podem induzir-nos a erros de percepção, avaliação e julgamento que escapam à racionalidade.

Essas regras são vieses comportamentais e conhecê-los é de extrema importância ao investidor que quer ter sucesso nas suas decisões. Hoje, falarei de uma delas, a ANCORAGEM.

De forma simplificada, significa dizer que damos muito valor à informação inicial recebida e não avaliamos corretamente se ela continua sendo válida ao longo do tempo. Você já se sentiu como se estivesse “preso” a um investimento e ainda que racionalmente você devesse vendê-lo, não consegue? É mais ou menos esse sentimento, você fica ancorado!

Um exemplo: por incrível que pareça, se perto do momento de investir uma pessoa é previamente exposta a palavras como “promoção”, “pechincha”, “barato”, “vantagem” tem mais chance de avaliar um investimento como vantajoso do que um investidor exposto a palavras como “caro”, “exorbitante”, “puxado”, “alto”, etc.

Esse comportamento está relacionado à forma como a mente funciona: nossa enorme capacidade associativa, que faz com que palavras, conceitos e números evoquem outros similares, um após o outro, numa reação em cadeia.

Outro exemplo: num momento de queda generalizada do mercado, no qual o preço das ações de empresas sólidas está abaixo do que realmente valem (que, em tese, voltam ao seu valor com o tempo), a maioria dos investidores adota um comportamento defensivo e se afasta do mercado, desperdiçando boas oportunidades de investimento.

Para evitar o viés da Ancoragem, é recomendável que o investidor:

• Preste especial atenção a valores tomados como referência, verificando se têm fundamento sólido ou se são arbitrários, utilizados simplesmente como âncoras;

• Mantenha-se atualizado quanto aos índices de comparação (taxas de câmbio, inflação, CDI, etc.) para não basear sua decisão em indicadores que não se aplicam ao cenário atual;

• Questione suas premissas, certificando-se de que sejam realmente relevantes para a tomada de decisão e de que não sejam utilizadas apenas para suprir uma possível lacuna de informação;

• Evite tomar decisões financeiras por impulso e sem informações suficientes, pois, na falta de base racional, sua mente irá apelar para o que estiver mais facilmente à disposição, porém nem sempre a seu favor.

Até a próxima,
Daniel