Em tempos de incerteza, vendo ou mantenho minhas ações em carteira?

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Recentemente ministrei uma palestra em que fui abordado por um investidor justamente com essa pergunta: – Daniel, dado o cenário atual, você me aconselharia a reduzir minha posição em Renda Variável?

De forma coloquial, compartilho com vocês a minha resposta:

1) Se eu não precisasse desse valor, eu correria o risco de ficar alocado em Renda Variável de olho no potencial dos próximos cinco anos. As empresas sólidas estão reportando fortes resultados, estão com nível de caixa alto (o que é um bom sinal) e a maioria com baixa alavancagem. Mas… com a Selic nas alturas, não há como a bolsa subir no curto prazo. No momento em que a Selic começar a baixar, acredito que a bolsa subirá bastante, pois o lucro das empresas continua evoluindo mesmo nesse cenário desafiador em que vivemos. O problema é QUANDO… E ter estômago para esperar esse “quando”.
Ressalto: tomaria essa decisão somente se eu me sentisse tranquilo, se isso não me tirasse o sono.
2) Se eu estivesse muito incomodado, eventualmente movimentaria a minha carteira aproveitando as boas oportunidades da Renda Fixa. Esse movimento me traria tranquilidade. O cenário atual tem trazido excelentes oportunidades na Renda Fixa. Se há um momento seria agora. Jamais faria isso com a Selic a 2% ou 4% a.a.
Ou seja, minha decisão dependeria: a) de eu precisar ou não do dinheiro no curto/médio prazo; b) do meu perfil; e c) do meu estômago para suportar os solavancos do mercado.
Concluindo: não há certo ou errado! Se você está incomodado, siga em frente! Reduza o risco da sua carteira. Existe um jargão no mercado que diz: se estamos perdendo nosso sono é porque estamos mais expostos ao risco do que deveríamos estar.
Mas saiba que as grandes oportunidades encontram-se em momentos difíceis. Talvez você esteja abrindo mão de grandes ganhos futuros. Mas leve sempre em consideração: Qual o preço do seu sono? Da sua tranquilidade? E das noites bem dormidas? Para mim, essa é a medida que diz o quanto você deve estar alocado em Renda Variável e se expor ao risco (e a ganhos superiores à média do mercado no longo prazo).

Um forte abraço,
Daniel