ENTENDA COMO A INFLAÇÃO IMPACTA SUA VIDA!

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Escolhi o tema Inflação dado que tem aparecido de forma recorrente no noticiário e, não por acaso, é motivo de apreensão. Mesmo que você não seja um expert no assunto, certamente já ouviu falar que a Inflação e a Selic exercem influência no nosso dia a dia. Vou gastar um pouco do “economês” para clarear a relação entre elas.
Inflação é o resultado da variação dos preços em determinado período, fruto de pressões de oferta ou demanda por produtos ou serviços. Selic é a taxa básica de juros e serve de referência para as demais taxas do mercado, seja para aplicações ou empréstimos. É utilizada como instrumento de política monetária para controle da inflação pelo Banco Central. Quando a inflação está alta, o Banco Central aumenta a Selic, refletindo nas demais taxas de juros.
Empresas e indivíduos evitam tomar empréstimos e gastar, ao mesmo tempo que torna mais atrativo poupar e investir. A resultante é a queda do consumo – demanda mais fraca alivia a pressão sobre os preços de produtos e serviços. Preços em queda seguram a inflação. Na outra ponta, Selic elevada por muito tempo inibe o crescimento econômico (PIB) e, quando as pessoas consomem menos, a Economia “gira mais devagar” – as empresas reduzem vendas e produção e o desemprego aumenta.
É bem desafiador para o governo calibrar essa dinâmica de juros e inflação. Vamos relembrar nosso quadro recente: em agosto de 2016, a taxa Selic bateu o pico de 14,25% e desde então entrou numa trajetória de quedas sucessivas. Mas algo surpreendeu no meio do caminho. O impacto negativo na atividade econômica trazido pela pandemia e o receio de por quanto tempo iria se prolongar levou a uma aceleração da queda na taxa, que atingiu seu menor nível (2%) entre agosto de 2020 e março de 2021. O que não estava no radar era a escalada inflacionária que veio pelo aumento dos preços das commodities no mercado internacional pós-pandemia. Com a inflação saindo do controle, o governo foi obrigado a iniciar a elevação gradual dos juros a partir de março/2021, atingindo 5,25% agora em agosto. E, mesmo assim, a inflação se mostra resiliente: o IPCA (índice oficial de inflação) acumula alta de 8,99% nos últimos 12 meses.
Moral da história: a perspectiva de inflação elevada afeta nossa renda e diminui nosso poder de compra. O que fazer? Quanto à inflação, individualmente, temos pouca capacidade de atuação. Todavia, podemos e devemos aprofundar a pesquisa de preços antes das compras essenciais e adiar o consumo dos demais itens. Salvaguardar renda é o melhor caminho para atravessar as turbulências econômicas.

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É executiva em Finanças com 35 anos de experiência na liderança de áreas de Crédito e Riscos de Atacado e Varejo. Atuou em grandes Bancos como Santander, BankBoston e Votorantim. Cursei Administração de Empresas, com MBA em Finanças pelo INSPER. Também é formada em Conselho de Administração pelo IBGC e Investidora Anjo e membro de Conselho Consultivo em startups. Brasileira, 50+, casada, dois filhos.